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Sem GPS, o jeito era dirigir com mapa de 50 folhas e ter boa memória

Os GPSs antigos, ou melhor, os famosos cadernos chamados de Guias CG, fizeram história e retratam como era dirigir sem aplicativos de geolocalização, como Waze ou Google Maps. As 51 folhas de papel ajudavam motoristas a encontrar cada rua da capital. Mas, para navegar por aqui, o jeito era contar com eles ou ter boa memória. Os mapas foram protagonistas nos táxis até 1995, antes de a internet ser o que é hoje. E, ainda assim, teve gente que manteve o costume mesmo depois dos anos 2000, quando as tecnologias do gênero passaram a ser acessíveis para “todos”. Apesar de os taxistas serem conhecidos como pessoas que têm memória de elefante, ou seja, lembram de tudo, Moacir e Genésio comentam que recorriam muito aos guias e até já deixaram de aceitar corridas porque o passageiro não sabia o endereço de onde iria desembarcar. Há 35 anos na profissão, Moacir – como prefere ser chamado –, de 71 anos, trabalha no ponto de táxi na Rua Dom Aquino com a Rua 14 de Julho, no centro da cidade. “De noite, não dava para ver nada nos guias. Eu cansei de falar: ‘Você sabe onde vai? Nem eu! Pode ir embora que eu não vou levar’. Não tinha como. Ele dava o endereço, e eu não achava no mapa. Cada bairro era um mapa. Aí, você era obrigado a ter todos. A pessoa entrava no carro e não sabia. Tinha hora que, antes de eu sair, eu olhava. Se eu não conseguisse me localizar, não levava.” Para usar o Guia CG, era preciso primeiro localizar o nome da rua desejada no começo do caderno. Depois, ele indicava em que página o endereço estava. O motorista era orientado pelas letras de A a Z na parte de cima da folha e pelos números de 1 a 25 na parte lateral. Moacir explica que, antes de ser taxista, trabalhou em um banco e juntou a economia de 17 anos de serviço para comprar o alvará, ou “o ponto”, que na época custou R$ 250 mil. O trabalho custou alguns momentos em família, mas garantiu o sustento da casa. “O táxi não sustenta mais duas, três famílias como sustentava antes. Em 1991, o banco onde eu trabalhava quebrou. A ideia do táxi veio porque eu tinha um amigo que ganhava melhor do que eu no banco. Nessa época, se ganhava bem. Quando entrou o Plano Real, você tirava meio salário todo dia.” Hoje, aposentado, Moacir mantém a profissão por necessidade. Ele revela que, durante todos esses anos, nunca tirou férias. “Dá para viver. Sendo dono, dá para viver. Suga muito a vida. Na minha idade, o trânsito maltrata muito. Eu nunca tirei férias para criar meus filhos. Perdi muita coisa.” Genésio Alves da Silva, 67 anos, comenta que os guias de rua eram muito usados porque ele não era bom para decorar os caminhos. Há 45 anos como taxista, o bataguassuense conta que, antes de embarcar na profissão, já foi pipoqueiro, trabalhou na construção civil e em cantina de colégio. Ele encontrou no táxi a tranquilidade para viver uma vida simples. “Naquela época, tinha que recorrer bastante aos cadernos. Essa coisa de férias não existe mesmo, é o lado ruim. Mas você pode tirar, se tiver condições. Eu não tirava por causa das necessidades financeiras. Agora, me aposentei há dois anos, porém mantive o serviço. Enquanto eu tiver condições, vou trabalhar.” O alvará do táxi foi adquirido por vinte milhões de cruzeiros. Com tantos anos de estrada, ele relembra que, apesar de não ter uma memória de elefante, os passageiros que pediam o serviço sempre sabiam o destino. “Sempre tinha um percentual alto de passageiros porque eles já sabiam onde iam. Agora, quando eles não sabem, nem a gente sabe, aí era quando recorríamos ao guia.” Hoje, o faturamento, que antes era bom, caiu quase 70% com a chegada dos carros de aplicativo, mas, segundo ele, o valor conquistado nas corridas ainda dá para sobreviver. “O táxi oscila muito. Tem dia que você não faz nada, tem dia que você faz melhor.” Acompanhe o  Lado B  no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e  Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp  (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .

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By Thiago Gabriel

Sou um editor de notícias especializado em eventos políticos, econômicos e de jogos online.

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