Quando o muro de uma casa cai, um tesouro dos anos 1960 aparece. Esse foi o cenário visto por arquitetos que passaram pela Rua Antônio Maria Coelho, entre a Pedro Celestino e Rui Barbosa nesta semana. O espanto aconteceu pelo imóvel ter características marcantes classificadas como estilo ‘brutalista’. A reportagem tentou falar com a nova responsável pela residência, que pretende transformar o imóvel em uma clínica voltada para o atendimento a animais, mas ela preferiu não dar detalhes neste momento. Então recorremos a olhares encantados pela arquitetura surpreendente no caminho. Segundo o arquiteto Fayez José Rizk, a casa foi projetada pela família Gibran, mais especificamente pelo engenheiro Gabriel do Carmo Jabour. “Acompanhei a construção dessa obra quando adolescente, no final da década de 1960. Morava na mesma rua, aliás, vizinho do Gibran. Essa residência foi erigida para o irmão do Gibran. Os Gibranerammuito ousados. A casa do pai está ainda hoje na Antônio Maria Coelho, logo após a 13 de maio”. Casa estava escondida na Rua Antônio Maria Coelho Playback speed Normal Quality – Playback speed 0.25 0.5 0.75 Normal 1.25 1.5 1.75 2 00:00 / 00:15 LIVE A casa a que ele se refere é a casa aranha, construída em 1962, também na Rua Antônio Maria Coelho. O objetivo era mesmo ser diferente. O imóvel foi “erguido” por Gabriel. O nome é porque a casa tem grandes pernas. O recurso era para ser apenas um elemento arquitetônico chamado ‘Brise-soleil’, que controla a entrada de luz solar nos edifícios. Conheça mais sobre a história clicando aqui . Fayez comenta que prefere a casa aranha à casa descoberta recentemente. “Gosto Mais dela, apesar dela ter substituído meu campinho de futebol da infância”. Quem também cravou a autoria da casa “escondida” foi o arquiteto e professor, Ângelo Arruda. “Ela é uma obra modernista em sua cobertura, com o uso do concreto armado bem desenhado já estruturando as calhas. Muito usado na arquitetura Brutalista*. Com amplos vãos abertos e ainda depois de quase 70 anos, ainda cai bem com a cidade. Seu recuo merece derrubar os muros e aproximá ela da rua. É o edifício de um tempo solar”. João Santos, também arquiteto comenta que a construção chama atenção pelo uso do concreto armado na estrutura da cobertura com a laje em formato abobadado. “Primeiro me chamou atenção pela qualidade. Segundo que contrasta com a arquitetura contemporânea e usual na cidade, como o uso de platibanda e volumes muito rígidos e com pouca qualidade arquitetônica e estética. Essa arquitetura como a da casa está cada dia mais difícil de encontrar pela cidade e quando existe, sofre intervenção que a descaracteriza e perdemos mais um exemplar arquitetônico com muita qualidade”. * Para quem não conhece os conceitos de arquitetura, o estilo brutalista surgiu na década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial. A estética divide opiniões. Algumas das características são o uso de concreto exposto e sem adornos, formas geométricas ousadas e gigantes, priorização da funcionalidade, expressão honesta dos elementos estruturais e ausência de ornamentação desnecessária. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .