O Campo Grande News obteve, com exclusividade, um memorando interno da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) que estabelece novas diretrizes para o atendimento de solicitações de viaturas feitas por empresas de segurança privada, como a Emive Segurança Eletrônica. As mudanças vêm após matérias sobre o uso indevido do serviço de emergência da PM em chamados relacionados a disparos de alarme. Conforme apuração da reportabem, nos últimos meses, o Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) tem recebido, em média, quatro solicitações diárias da Emive, com sede em Belo Horizonte (MG), para o envio de viaturas após disparos de alarmes em imóveis monitorados pela empresa. O problema se agravou porque as centrais de monitoramento, localizadas em outros estados, acionavam o 190 sem realizar uma verificação local prévia, sobrecarregando a PM e deslocando viaturas para ocorrências muitas vezes sem urgência. O memorando assinado pela tenente-coronel Jucilene Sales Ortale, comandante do COPOM, determina uma série de mudanças no atendimento às solicitações dessas empresas. A principal mudança é a exigência de que a presença de um responsável da empresa de segurança no local do disparo de alarme seja obrigatória para que a viatura da PM seja enviada. Caso não haja um representante local, os atendentes do 190 devem esclarecer que a presença da viatura dependerá da confirmação de uma situação real de emergência, como um crime em andamento. A medida visa otimizar o uso dos recursos da Polícia Militar, evitando deslocamentos desnecessários e garantindo que as viaturas sejam direcionadas prioritariamente a ocorrências confirmadas de urgência. O memorando também estabelece que todas as solicitações de empresas de segurança sejam registradas detalhadamente no sistema, com o nome, telefone e CNPJ da empresa, para facilitar o rastreamento e controle das chamadas. Entenda – A situação havia gerado revolta tanto entre policiais militares quanto entre os cidadãos, que relataram o mau uso da força policial por parte de algumas empresas. Muitos clientes da Emive informaram que, ao contratar o serviço de monitoramento, foram induzidos a acreditar que a empresa tinha um convênio com a PM, o que foi desmentido pela Polícia Militar. Em resposta, a tenente-coronel Jucilene Sales Ortale destacou que a verificação do alarme é responsabilidade da empresa de segurança contratada, e que o acionamento da polícia só deve ocorrer quando uma situação de crime for confirmada, como uma invasão, arrombamento ou furto. Ela também afirmou que a medida já reduziu o número de chamadas equivocadas e que a PM continuará orientando as empresas a seguirem os novos procedimentos. Em entrevista ao Campo Grande News, o responsável pela franquia da Emive em Campo Grande, Luan Delamare, defendeu a atuação da empresa, afirmando que a Emive tem “presença significativa em todo o Brasil” e que as denúncias contra o modelo de atendimento podem ser motivadas por concorrentes. Ele destacou que a empresa busca sempre garantir a segurança dos seus clientes, mas reconheceu que a comunicação com a PM pode ser aprimorada. O Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança de Mato Grosso do Sul (SIESE-MS) também se manifestou, criticando as práticas da Emive. O sindicato alertou sobre a sobrecarga do sistema de segurança pública e orientou os consumidores a verificarem a regularidade das empresas antes de contratar os serviços. A Emive, que não é filiada ao SIESE-MS, foi criticada por acionar diretamente a PM sem a devida verificação dos alarmes. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
Após matéria, PMMS altera procedimentos sobre solicitações de segurança privada
