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Polêmica dos desenhos fofos inflama discussão até em Campo Grande

Nos últimos dias, a internet foi tomada pela febre do anime, uma trend que transforma fotos em ilustrações no estilo do Studio Ghibli. No entanto, o que parece apenas mais um filtro divertido nas redes sociais, acendeu uma nova discussão sobre direitos autorais e a valorização dos artistas.  Até mesmo o próprio Hayao Miyazaki, fundador do estúdio japonês, já expressou seu desgosto com o uso de inteligência artificial para produzir arte, classificando a tecnologia como um “insulto à vida”. Em Campo Grande, o assunto também tem provocado discussão. Ilustradora e quadrinista, a artista Marina Duarte se manifestou contra a banalização do trabalho artístico e levou o debate para as redes.Para ela, o uso indiscriminado dessas ferramentas não só desrespeita os criadores originais, mas também aprofunda a precarização da arte enquanto profissão. “A Inteligência Artificial não existe por si só. Ela não cria nada sozinha. Tudo o que ela faz vem de um banco de dados alimentado por trabalhos humanos. Sem a criação humana, essa ferramenta sequer existiria”, pontua. Inteligência artificial faz isso? Marina atua no mercado há cerca de seis anos e usa as ilustrações para fazer conteúdo jornalístico. Recentemente, a quadrinista lançou o projeto “Vozes Invisíveis”, que aborda a resistência de mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais de Campo Grande. Diferente da ação instantânea de um aplicativo de I.A, o trabalho levou um ano para ser concluído, sendo quatro meses apenas na produção das ilustrações.  “O processo artístico não é só o momento da execução. Existe pesquisa, experimentação, revisão. Cada escolha estética carrega um significado. Esse é o trabalho trabalho humano envolvido”, explica. É justamente essa complexidade que preocupa ilustradores e quadrinistas diante da ascensão da Inteligência Artificial. Para Marina, a apropriação do estilo de Miyazaki e de outros artistas sem sua autorização demonstra como a tecnologia pode atropelar a ética em nome da conveniência.  Além da questão autoral, há um problema ainda maior: a sobrevivência dos artistas. Marina destaca que a maioria dos trabalhadores do setor já enfrenta uma realidade difícil, sem garantias trabalhistas e dependendo de editais para viabilizar projetos. “A gente já vive na precariedade. Agora, além de tudo, estamos vivendo uma onda de substituição por um algoritmo que usa nosso próprio trabalho contra nós”, denuncia. Essa substituição não é apenas teórica. Grandes empresas já utilizam Inteligência Artificial para gerar imagens, reduzindo custos e eliminando a necessidade de contratar ilustradores, por exemplo. O que antes era uma preocupação distante agora se torna uma ameaça concreta. “As pessoas consomem arte sem enxergar a arte. Acham bonito, mas não pensam no artista, no processo, no significado. A I.A intensifica essa lógica, tornando tudo descartável”, reflete. Diante desse cenário, artistas do Brasil inteiro começaram a se organizar e movimentos que lutam pela regulamentação do uso da Inteligência Artificial no setor criativo. A principal pauta é garantir que inteligências artificiais não se apropriem de criações sem a devida autorização e remuneração dos autores originais. “A arte não é um resultado final, é um processo. O que a I.A faz não é arte, é um aglomerado de referências cuspido em segundos. O artista pensa, sente, erra, refaz. Isso nunca vai ser substituído por um robô”, argumenta. Siga o Lado B  no  WhatsApp , um canal para quebrar a rotina do jornalismo de MS! Clique aqui para acessar o canal do Lado B e siga nossas redes sociais .

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By Thiago Gabriel

Sou um editor de notícias especializado em eventos políticos, econômicos e de jogos online.

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