Nos últimos cinco anos, 33 fazendas concentraram quase 18% da área queimada no Pantanal. No período, o fogo atingiu 5,9 milhões de hectares, sendo 1 milhão nessas 33 propriedades. Elas registraram ao menos três inícios de grandes incêndios. O levantamento foi divulgado pelo diretor do Núcleo Ambiental do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), promotor Luciano Furtado Loubet. “A gente está dando prioridade máxima para o trabalho preventivo. Para justamente identificar porque isso está acontecendo. Nós chamamos os proprietários para orientá-los sobre o manejo integrado do fogo. Se você tem uma propriedade que, nos últimos cinco anos, começaram incêndios três vezes lá, a gente tem que trabalhar essa matéria”, diz Loubet. A reunião foi realizada na última segunda-feira. De acordo com o promotor, os proprietários relatam que em muitos casos o fogo surge à margem de rio, perto de estrada. “Não quer dizer que os proprietários começaram o fogo”. No ano passado, o MPMS esteve em 75 do total de 147 pontos de ignição de incêndio. Mas há locais de tão difícil acesso que nem helicóptero consegue chegar o que deixa muitas duvidas sobre se o ponto é povoado para que alguém coloque fogo. O trabalho resultou em quatro multas. “O Ministério Público, por meio do programa Pantanal em Alerta, vem trabalhando essa questão dos incêndios em duas vertentes. Uma preventiva, de identificar as propriedades que são prioritárias, e outra vertente de fiscalização. Identificar onde os incêndios começam”. O promotor participou nesta quarta-feira (dia 2) do 1º Seminário Internacional de Manejo Integrado do Fogo no Pantanal, que acontece hoje e amanhã na sede do Ministério Público, em Campo Grande. Durante o evento, ele rememorou a infância na fazenda do avô, em Porto Murtinho. Como quando aos 9 anos se deparou com o assoreamento do Rio Taquari, ao descer o curso de água usando toras de madeira, numa travessura com o primo. O Taquari é o maior desastre ambiental de Mato Grosso do Sul. Outra lembrança foi testemunhar a morte do Santa Maria, afluente do Rio Perdido. “Vi o afluente do rio acabar em 15, 20 anos”. O Perdido também enfrenta severo processo de assoreamento. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
Em 5 anos, 33 fazendas concentraram 1 milhão de hectares queimados no Pantanal
