Em meio a uma disputa política acirrada e alegações de risco ao sigilo dos votantes, cerca de 400 vereadores e ex-vereadores das 31 cidades filiadas à União de Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul foram à sede da entidade, em Campo Grande, nesta quarta-feira (2), para eleger a nova gestão. A votação começou às 9h e segue até as 16h (horário de MS), com duas chapas na disputa. Os principais candidatos à presidência são o atual presidente Jeovani Vieira (PSDB) e o vereador de Dourados, Daniel Júnior (PP). Enquanto Jeovani tenta a reeleição após anos à frente da entidade, Daniel Júnior desponta como favorito, apoiado por importantes figuras políticas, como o governador Eduardo Riedel (PSDB), os ex-governadores Reinaldo Azambuja (PSDB) e André Puccinelli (MDB), além da senadora Tereza Cristina (PP) e da Assembleia Legislativa, sob liderança de Gerson Claro (PP). Durante a votação, Daniel Júnior circulou pela sede da UCVMS acompanhado por sua chapa, que inclui vereadores de Campo Grande, como Neto Santos (Republicanos) e Junior Coringa (MDB) — este último abdicou de sua candidatura para ser vice na chapa. O candidato se diz satisfeito com sua campanha. “Visitamos mais de 40 municípios, mesmo sabendo que são apenas 31 filiados de um total de 79. Fizemos visitas, conversamos pessoalmente com os vereadores nas câmaras e sessões. Foi um pleito bom”, afirmou Daniel Junior. Já Jeovani também esteve presente, acompanhado de apoiadores e de seu vice na chapa, o vereador douradense Sérgio Nogueira (PP). Ele destacou que sua campanha incluiu visitas a todas as 31 cidades com direito a voto. “Fomos bem recebidos porque temos a cara dos vereadores”, afirmou. Podem votar vereadores em exercício e ex-vereadores que estejam com a filiação regularizada e a mensalidade em dia. Segundo a assessoria jurídica da UCVMS, 403 pessoas estão aptas a votar, incluindo 85 ex-vereadores, em sua maioria políticos que concluíram o mandato em 2024. Polêmica – Nesta eleição, a votação foi organizada com urnas identificadas pelo nome da cidade do votante. A mudança gerou críticas, pois, até a eleição anterior, havia uma única urna sem distinção de município. O presidente da comissão eleitoral, vereador Jairo Fernandes (PL), de Fátima do Sul, justificou a mudança como uma forma de facilitar a organização do pleito. “O pessoal chega da sua cidade, vota rápido e já vai embora. O mesmo acontece com quem vem de Campo Grande ou Dourados. Por isso, resolvemos fazer dessa maneira, e aqui tudo está transcorrendo na maior democracia possível”, afirmou. Jairo também comenta que a composição da comissão eleitoral foi feita de forma democrática, respeitando as indicações das chapas participantes. Ele explica que, na época, havia cinco chapas, com candidatos como os vereadores Leandro Caramalac (PSD), de Terenos; Junior Coringa (MDB), de Campo Grande; Dr. Erney Barbosa (PT), de Jardim; além dos atuais concorrentes, Jeovani e Daniel Júnior. “A gente foi escolhido, eu e mais esses quatro companheiros que estão aqui hoje, representando o pleito eleitoral. Então, foi feito pela comissão e pela chapa, foi escolhido por eles [candidatos]”, comenta Jairo. Entretanto, a nova medida tem sido criticada pela chapa de Jeovani e pela assessoria jurídica da UCVMS, que afirmam que a mudança tem gerado denúncias de “constrangimento” entre alguns vereadores, já que a urna traz a identificação da cidade do votante. De acordo com o assessor jurídico da UCVMS, Anderson Marques, as denúncias apontam que esse formato de “uma câmara, uma urna” compromete o sigilo e a proteção do voto. “Já estamos há praticamente duas ou três horas da votação e há denúncias de vereadores que vão se abster justamente por medo, pois há uma influência política sobre a votação. Quando você individualiza, por exemplo, em câmaras menores — e a maioria dos municípios do estado tem nove vereadores —, fica mais fácil mapear os votos. Esse é justamente o receio da maioria dos vereadores que vieram votar”. O assessor jurídico também pontuou que, caso sejam comprovadas irregularidades, o pleito eleitoral pode ser anulado. “Ainda há um recurso pendente da própria União das Câmaras pedindo a revisão dessa decisão. Se o Poder Judiciário entender que o despacho da comissão foi unilateral, ou seja, não foi amplamente debatido, e isso feriu a lisura do pleito eleitoral e o caráter sigiloso do voto, existe, sim, o risco de que essa eleição seja anulada”. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
Eleição da União das Câmaras tem disputa acirrada e críticas ao sigilo do voto
