Universidade empreendedora: agora ou no futuro? - 813BET - Melhor Entretenimento Universidade empreendedora: agora ou no futuro? - 813BET - Melhor Entretenimento

O empreendedorismo é um dos principais impulsionadores da inovação, crescimento de renda e geração de empregos. Portanto, é considerado um dos elementos essenciais para o desenvolvimento econômico e bem-estar social. Neste contexto, como as universidades podem contribuir? As universidades desempenham um papel importante na formação profissional, bem como na produção e disseminação de conhecimento. Estes são ativos (ou inputs) para a geração de valor econômico e social. E como esses ativos podem ser transformados em contribuições efetivas para a sociedade? Uma das formas consiste no estímulo ao empreendedorismo promovido pelas universidades. Para tanto, elas podem ser – ou se tornar – universidades empreendedoras. Estas são instituições de ensino superior que apresentam (ao menos) três componentes: • Universidades empreendedoras desenvolvem consistentemente ações relacionadas ao empreendedorismo, que permeiam e integram as atividades de pesquisa, ensino e extensão. • Elas desenvolvem essas atividades em conjunto com outros atores do ecossistema de inovação e empreendedorismo, tais como governo, empresas, outras universidades, agências de fomento, investidores de capital de risco e instituições de apoio ao desenvolvimento de empresas nascentes inovadoras (incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos, venture builders, hubs de inovação, etc.). • Universidades empreendedoras têm uma estrutura destinada aos empreendedores de modo que estes possam desenvolver e alavancar os conhecimentos científicos e as novas tecnologias para resolver problemas relevantes do mercado e da sociedade. Cabe ressaltar que há diferentes modelos de universidades empreendedoras. Esses modelos devem ser desenhados e implantados adequadamente. Assim, esses três componentes – ações empreendedoras, inserção no ecossistema de inovação e empreendedorismo e estrutura – devem estar alinhados à missão e aos objetivos estratégicos de uma universidade empreendedora. Os modelos de universidade empreendedora podem ser implantados e executados em diferentes níveis: • No nível individual, ou seja, dos docentes, pesquisadores e alunos. Exemplos incluem os professores responsáveis por disciplinas de empreendedorismo, ou docentes que coordenam laboratórios de pesquisa que incorporam iniciativas empreendedoras. • No nível das unidades de uma universidade. Por exemplo, um departamento pode oferecer uma formação focada em empreendedorismo. Esse é o caso do Programa de Pós-Graduação Profissional em Empreendedorismo da USP. • No nível institucional da universidade. Espera-se, neste caso, que as ações empreendedoras apresentem multidisciplinaridade e envolvam a integração com diferentes unidades e departamentos. Exemplos incluem as iniciativas empreendedoras promovidas pelas agências de inovação (ex.: Auspin), escritórios de transferência de tecnologias e centros de inovação (Ex.: Inova USP) das universidades. Cabe ainda citar que diferentes métodos de ensino do empreendedorismo podem ser adotados nesses diferentes níveis. Esses métodos incluem: • Método tradicional: o ensino é centrado na figura do professor. Este realiza a organização e exposição do conhecimento sobre empreendedorismo aos alunos, que assumem um papel mais passivo. O resultado desse método é o aprendizado do aluno por meio de transferência de conhecimento. • Método baseado em ação: no âmbito do empreendedorismo, esse método é conhecido como empreendedorismo baseado em ação (ou action-based entrepreneurship). Neste método, o ensino do empreendedorismo é orientado para a ação, enfatizando o “aprender fazendo” (ou learning by doing). O docente atua como um instrutor e os alunos, individualmente ou em grupo, geralmente desenvolvem um projeto para resolver um problema ou explorar uma oportunidade empreendedora. • Método de criação de valor: esse método contempla uma extensão da abordagem de “aprender fazendo” para “aprender criando valor” (ou learning by creating value). Neste caso, o docente assume um papel de facilitador e de supervisor dos projetos dos alunos. O intuito desses projetos é proporcionar que os alunos efetivamente iniciem uma atividade empreendedora, e gerem valor por meio do lançamento de uma empresa nascente inovadora (startup). Podemos analisar a maturidade e complexidade do modelo de uma universidade empreendedora ao considerar simultaneamente as três questões apresentadas: componentes (ações empreendedoras, inserção no ecossistema de inovação e empreendedorismo e estrutura), nível de execução (individual, unidades/departamentos e institucional); e método de ensino (tradicional, baseado em ação e criação de valor). Nesse sentido, um modelo de universidade empreendedora com ações empreendedoras no nível institucional, estrutura disponível para essas ações, adoção do método de ensino de empreendedorismo baseado na criação de valor e inserção no ecossistema de inovação e empreendedorismo tende a apresentar uma maior maturidade (e complexidade). Um exemplo desse modelo é a iniciativa Nidus, um programa de residência em empreendedorismo e inovação oferecido no âmbito do Centro de Inovação da USP (Inova USP). As discussões deste artigo podem contribuir para compreender o estágio atual do modelo de uma determinada universidade empreendedora, e para direcionar seus esforços rumo a um modelo futuro. E, com isso, responder à seguinte questão: universidade empreendedora, agora ou no futuro? (*) Marcelo Caldeira Pedroso, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP

Avatar photo

By Thiago Gabriel

Sou um editor de notícias especializado em eventos políticos, econômicos e de jogos online.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *