Você já ouviu a cantiga antes. Um herói traído. Um pacto demoníaco. Uma sede insaciável por vingança.
Mas “The First Berserker: Khazan”, meus caros, não é só mais um joguinho de apertar botão até o inimigo cair — ele é um ritual de catarse sangrenta com uma espada maior que sua dignidade depois de morrer pra um cachorro esquelético pela 15ª vez.
Neste ensaio místico de ação brutal, a Nexon e a Neople invocam um soulslike que, mesmo carregando o fardo do clichê, exorciza o tédio com um sistema de combate que grita: “me elogie ou morra tentando.”
A maldição do traído: história com cheiro de Miura e um pezinho no inferno
Você controla Khazan, um general injustiçado, mutilado (sim, cortaram os tendões do coitado!) e possuído por um espírito que curte mais uma foice do que um Pix. É tipo o Guts, de Berserk, mas se o Espadachim Negro tivesse saído direto do DNF Online e trocado a Brand of Sacrifice por um sistema de combos e upgrade.
A história, apesar de genérica à primeira vista — e vamos ser sinceros, é sim — ganha pontos pela execução estilosa, animações bem cuidadas e um voice acting digno de um bom anime dublado pela galera que entende de grito emocional na hora certa.
Não, não vai te emocionar como a morte da Flora (cof cof), mas vai fazer você se importar o suficiente pra continuar desossando demônios com estilo.
Um parry que vale mais que 100 builds no Elden Ring
Sim, tem combate. Muito combate. E o que você achava que ia ser mais um clone de Souls preguiçoso acaba virando um dos melhores sistemas de parry desde Sekiro. É como se o Miyazaki tivesse descido dos céus e sussurrado no ouvido dos devs: “faça direito.”
O combate mistura:
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fluidez de Bloodborne,
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leitura de padrão de Sekiro,
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e o peso tático de Dark Souls 1.
As armas? Temos três arquétipos básicos:
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Espadão (pra quem sente saudade da Ultra Greatsword do Papai Ornstein),
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Lança (ótima pra espetar gente como se fosse marshmallow no acampamento),
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E as queridas lâminas duplas, que fazem você parecer o Levi do Attack on Titan depois de três cafés.
Agora, a cereja do bolo: o parry especial em inimigos de elite. É como o Mikiri Counter de Sekiro, mas com mais sangue, câmera dramática e gritos que você ouve até do além.
A linha reta mais estilosa da sua vida
Tá, vamos respirar e falar da parte menos glamourosa: os cenários.
Não tem aquele labirinto arquitetônico à la Anor Londo ou a interconexão majestosa de Lordran. O mundo aqui é linear, dividido por um hub, como Nioh ou o Nexo de Demon’s Souls. Isso é ruim? Não necessariamente.
A linearidade serve ao propósito: você não veio passear, veio caçar chefes com o olhar do Griffith pós eclipse.
Só é uma pena que os mapas não tragam tanta verticalidade ou criatividade. Ainda assim, dá pra encontrar umas rotinhas secretas, armas novas, e um ou outro atalho que salva tempo — e paciência.
Ah, e claro… tem pântano venenoso. Porque se não tivesse, não seria um soulslike completo, né?
Dificuldade: sim, você vai sofrer (mas não gratuitamente)
Khazan é difícil. Muito difícil. Mas ao contrário de certos jogos que confundem dificuldade com frustração (cof Surge cof), aqui há inteligência no design.
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Você pode ativar o modo “fácil” (ainda desafiador) se não quiser arrancar os cabelos.
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Morreu? Você ainda ganha um pouquinho de XP (Larima) pra evoluir, mesmo sem vencer. Isso evita aquele grinde chato de voltar e farmar por 40 minutos em goblins de papel.
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E quase todos os bosses permitem convocar um companheiro espiritual, que apanha por você e te dá espaço pra respirar. Ou pra tomar um suco antes de apanhar de novo.
A curva de aprendizado é íngreme, mas justa. E quando você pega o tempo do parry e executa aquela finalização… Ah, meu amigo, é dopamina pura.
Progressão que não te obriga a assistir 40 tutoriais no YouTube
Ao contrário de alguns RPGs mais confusos que final de temporada de Lost, Khazan tem uma progressão direta e bem explicada.
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São poucos atributos, fáceis de entender.
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Árvores de habilidades simples, mas com upgrades que realmente mudam sua gameplay.
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Craft de equipamentos, rarezas, melhorias de alma demoníaca — o pacote completo.
Troquei de build do nada só por causa de uma habilidade nova das lâminas duplas que transformou meu estilo inteiro. É tipo trocar seu mago por um guerreiro em Diablo II só porque achou um machado insano.
Trilha sonora de chefe final e performance sólida
A OST está disponível nas plataformas como Spotify, Apple Music e afins. E, olha… ela entrega. Guitarra nervosa, coro épico, e temas de chefes que dão vontade de lutar mesmo que sua barra de vida esteja piscando em vermelho faz meia hora.
O jogo também roda bem no Steam Deck, é otimizado para o PS5 Pro, e tem versões para Xbox Series X|S. Nada de stutters inexplicáveis como em certos ports malditos por aí (cof cof Lords of the Fallen 2023).
Prós e Contras
Prós:
- Combate afiado como as espadas do protagonista.
- Sistema de parry digno de Sekiro.
- Trilha sonora imersiva.
- Progressão clara e viciante.
- Chefes memoráveis e batalhas eletrizantes.
Contras:
- Níveis lineares e pouco inspirados.
- Narrativa genérica, embora bem apresentada.
- Falta mais variedade de builds e armas.
- Estética visual que não se destaca entre tantos “anime-like”.
Nota Final: 8/10
Khazan é um milagre demoníaco em meio à overdose de soulslikes. “The First Berserker: Khazan” não é revolucionário, mas também não quer ser. Ele pega tudo que deu certo nos melhores jogos do gênero, mistura num caldeirão infernal, e serve pra você em um prato fumegante de parry, boss fight e lore sobrenatural. Sim, ele tem falhas — lineares, previsíveis e até um pouco recicladas. Mas o coração, a alma, e principalmente o combate… ah, esse é de fazer o próprio Guts levantar da cova e bater palmas. Se você ama soulslikes e quer uma experiência intensa, brutal e honesta com você mesmo, Khazan é seu novo campo de batalha.
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