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Há 18 anos, Silvana viu em rua de pedras a ‘Olinda’ de Campo Grande

Os paralelepípedos que separam o antigo do novo contam a história de quem olhou para o berço do Carnaval de rua de Campo Grande e acreditou que ali seria a “Olinda” da cidade. Silvana Valu caminha pelas pedras da Esplanada Ferroviária como quem convida o passado para uma conversa. De braços abertos e com o estandarte do bloco que leva seu nome, a produtora cultural conta como encontrou o lugar perfeito para fazer o Carnaval ser o que é hoje. São poucos metros entre o asfalto e a parte ainda intacta da época em que ela chegou à Rua Dr. Ferreira e teve certeza de que, apesar de estreita, ali seria o local ideal para que o primeiro cortejo passasse. Era o final de 2006. Poucos meses depois, em 2007, a banda passaria por lá, e os foliões conheceriam o cenário que, de uma vez por todas, se tornaria o endereço oficial da folia de rua. “A gente saía andando pela região à noite, procurando o trajeto ideal, e quando chegamos à Esplanada, vimos aquele cenário. Não tínhamos dúvidas: decidimos que ali seria a nossa Olinda, e assim foi feito”. Durante os minutos em que esteve parada entre a Rua General Melo e a Rua Dr. Ferreira, ela apontou as casinhas pintadas de diversas cores e lembrou como se encantou por elas. Para Silvana, o espaço não poderia ser desperdiçado. “Era bem característico o cenário dos paralelepípedos, tudo. Falamos que era muito centro velho, escolhemos a dedo. A rua era charmosa e bonitinha, com as cores espalhadas. Na primeira vez, foi a coisa mais linda do mundo. Quando passamos com a banda e os foliões, os moradores saíam para ver o que estava acontecendo e jogavam água na gente com uma mangueira. Foi super divertido. Virou tradição.” Hoje, devido ao número de pessoas, o cortejo já não passa mais pela rua. No primeiro desfile do Cordão, Silvana se fantasiou do que ela classifica como “o básico”: Cleópatra. O marido, também fundador do bloco, Jefferson Contar, foi para a festa fantasiado de Marco Antônio. As fantasias são bastante populares entre os foliões. Sobre ocupar o papel de quem trouxe o Carnaval de rua para onde ele precisa estar, Silvana comenta estar feliz, realizada e esperançosa com o futuro dos blocos. “É emocionante ver tudo o que a gente conseguiu fazer. Acho que abrimos as portas para os outros blocos chegarem. O Carnaval, assim como conhecemos hoje, acabou ressurgindo no Brasil inteiro, e o Cordão vem dessa leva. Surgiu em São Paulo, Belo Horizonte, por exemplo. A nossa inspiração foi o Carnaval do Rio de Janeiro. Fizemos da Esplanada um palco não só para o Carnaval, mas também para outras manifestações culturais.” Quem viveu o Carnaval de Campo Grande antes de 2007 deve lembrar que as festas eram realizadas na Rua 14 de Julho e nos clubes da cidade. Esse foi um dos motivos que fizeram Silvana Valu querer levar a festa para a rua, democratizar a alegria. “A gente sentia falta dessa coisa livre, de rua. Só queríamos pular Carnaval com fantasia. Porque, naquela época, era todo mundo igual, com abadá. A gente queria ser diferente, fazer marchinhas. Mostramos um jeitão campo-grandense de curtir.” Depois do primeiro Carnaval, ela e um grupo de amigos foram até um bar que também tem história nesse período: o Zé Carioca. “Foi melhor do que eu esperava. A gente chorou muito, estávamos muito emocionados. Quando paramos no bar do Zé, que na época tocava rock, chegamos fantasiados tocando samba, e no fundo estava tocando rock. Teve uma hora que tudo se misturou. Tinha gente fantasiada ouvindo rock e gente de preto ouvindo samba”. Bar da  Valu Os fãs e interessados na história do Carnaval local sabem que Silvana começou o bloco junto com um bar e que inclusive, o nome antes era “Cordão do Bar Valu”.  Quem não sabe agora é oportunidade.  Ela e o marido ficaram com o local por três anos. As atividades encerraram após o primeiro cortejo na Esplanada. Os foliões que estiveram na estreia do Cordão frequentavam o bar e eram amigos do casal.  “A gente já tinha uma galera que seguia a gente, os amigos da universidade, outros amigos que tínhamos que pulavam Carnaval dentro da Igrejinha. A gente tinha uma lá dentro da escola de samba. Nosso carnaval durava 1 mês. Quando a gente abriu o bar, que foi uma consequência do bloco, ele ficava na Rua da Imprensa com a Rui Barbosa. Ele estava lotado. Umas 100 pessoas foram para a feijoada que a gente fez na inauguração”.  Herança  Ao todo, são 18 anos de história com o bloco, mas o gosto pelo Carnaval é herança de família de ambos os lados. Filha de cantor de samba, Silvana conta que não se lembra de algum momento em que o Carnaval não estivesse no na rotina.  “Meu marido é filho de compositor de sambas da Igrejinha, era fundador, e meu pai foi o cantor por mais de 30 anos, então a gente nem se conhecia lá, mas frequentava desde sempre. Meu sogro fazia o samba e meu pai cantava. Foram campeões durante muitos anos e minha mãe sempre gostou de carnaval e fantasias. Desde criança eu lembro dela fazendo duas fantasias para gente pular Carnaval”.  Neste ano o Cordão da Valu sai às ruas no dia 1 de março, às 15h, na Esplanada Ferroviária. Clique aqui e saiba toda a programação da folia. Acompanhe o  Lado B  no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e  Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp  (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .

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By Thiago Gabriel

Sou um editor de notícias especializado em eventos políticos, econômicos e de jogos online.

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