“Os gritos dela eram desesperadores”, disse o vizinho da jornalista Vanessa Ricarte, morta pelo ex-noivo Caio César Nascimento Pereira durante a reprodução simulada do crime na tarde desta terça-feira (25), no Bairro São Francisco. O homem, que prefere não se identificar, ajudou a polícia a arrombar o portão da casa da vítima no dia 12 de fevereiro, quando ela foi esfaqueada no peito e afirma que foi bem difícil não ter conseguido salvá-la. “Nada que eu fale vai trazer ela de volta. Ei não consigo nem falar mais sobre isso. O fato de eu não ter conseguido salvar ela foi bem difícil, isso foi difícil. Os gritos dela eram desesperadores. Se eu pulasse o muro ia ser ela ou eu”, relatou o homem que foi um dos que acionaram a polícia no dia do crime. À imprensa, ele relatou que outros vizinhos também fizeram as ligações e que as equipes chegaram em cerca de 4 minutos ao local. Ele, então, ajudou os servidores a levantarem o portão eletrônico, que é totalmente fechado, mas esperou que os policiais chegassem ao local. “A casa tem cerca elétrica e concertina. O portão é todo fechado. Eles chegaram bem rápido. Arrombamos o portão e os policiais entraram, eu não aguentei ficar segurando e então abaixei o portão. Foi desesperador. Assustador. Espero que a justiça seja feita”, finalizou o vizinho. A reprodução simulada durou cerca de 2 horas por conta da chuva forte que atingiu Campo Grande na tarde desta terça. O advogado que atua na defesa da família de Vanessa pontuou que agora todas as fotos e imagens feitas na casa serão encaminhadas para a perícia e depois juntadas aos autos do processo. “A perícia vai finalizar o trabalho. Toda a reconstituição simulada dos fatos será juntada ao processo que segue normalmente. No momento é o que temos para relatar”, alegou Pablo Arthur Buarque Gusmão. Os advogados que atuam na defesa de Caio também acompanharam a reconstituição feita pela Deam, (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) com apoio de equipe da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Sequestros e Assaltos). A rua onde fica a casa de Vanessa foi totalmente fechada para os trabalhos nesta tarde. Feminicídio – A jornalista Vanessa Ricarte já havia solicitado medida protetiva na noite de terça-feira (11) após ser ameaçada por Caio. Naquele mesmo dia, depois de sair da Deam, onde foi buscar outras informações a respeito da medida, ela seguiu até o imóvel onde morava com o músico para buscar os pertences. Houve discussão e Caio a esfaqueou três vezes no coração. Vanessa Ricarte chegou a ser socorrida pelos bombeiros, mas não resistiu e morreu na Santa Casa de Campo Grande. Caio Nascimento, com histórico longo de violência doméstica, foi preso em flagrante e ficou em silêncio na delegacia, sem esboçar qualquer reação. Ameaça de morte – No depoimento dado à Deam, ao qual o Campo Grande News teve acesso, a jornalista afirmou que estava morando com Caio desde agosto do ano passado e que ele era dependente químico, além de beber todos os dias e ficar embriagado com frequência. Para a polícia, ela disse que quando bêbado, Caio ficava “um terror”. “Fica agressivo e anda com o carro em alta velocidade, colocando ambos e terceiros em risco”, descreve boletim de ocorrência. Na delegacia, ela deu detalhes sobre a exposição das fotos e contou ainda que recebeu ameaça de morte. Na terça-feira, por volta das 12h, num momento em que estava “chapado” (drogado), Caio pegou uma faca e a ameaçou, dizendo: “eu vou me matar, mas você vai junto”. Diante da situação, Vanessa solicitou medida protetiva de urgência, para que o ex fosse retirado de sua casa e impedido de manter contato com ela. Ela se recusou a ficar no abrigo da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande e decidiu não esperar a intimação de Caio Nascimento sobre a ordem judicial antes de voltar em casa para pegar roupas e pertences. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .